Minha vida mudou quando recebi um diagnóstico inesperado: uma anomalia venosa frontal à esquerda, acima do cérebro.
O que isso significa?
Quando meu fluxo sanguíneo aumenta rápido demais, essa veia não acompanha, causa inchaço, pressiona meu cérebro e provoca convulsões. Meus batimentos chegavam a 280, até 302 por minuto.
Não era uma doença, mas uma deficiência. O neurocirurgião me disse que eu teria que mudar totalmente minha rotina: não me estressar, não pegar peso, evitar emoções fortes, falar pouco, tomar medicamentos para convulsões e conviver com dores de cabeça 24h por dia.
Havia uma cirurgia, mas com apenas 1% de chance de sucesso e 99% de eu não sobreviver. Meu chão desabou.
Na época, eu estava separado, distante das minhas filhas, sem amigos, sem apoio. Fiquei sozinho, apenas eu e Deus.
Sob efeito de remédios fortes, perdi a noção da vida. Cheguei ao fundo do poço.
Foi quando Deus enviou alguém especial: minha tia Ana, uma mulher generosa, que me acolheu e cuidou de mim. Ela me deu força para enfrentar um dos períodos mais difíceis da minha vida: dores, isolamento, depressão, a perda das minhas empresas e a sensação de não ter mais propósito.
A pior sensação do mundo não é estar só, mas descobrir que você é só.
Um dia, decidi que se eu poderia morrer com um susto, também poderia morrer tentando viver. Resolvi caminhar até minha empresa, 4km de distância, carregando uma garrafa de água e meus remédios. Foram horas até chegar. Fiz de novo no dia seguinte, depois na semana seguinte.
Aos poucos, fui retomando o controle da minha vida, mesmo com as dores de cabeça. Vendi minhas empresas, prestei serviços em domicílio e aprendi a aceitar minhas limitações. Cada dia que eu acordava era um milagre.
Tudo mudou quando um amigo, o Marco Antônio, me convidou para participar da Maratona Internacional de João Pessoa. Ele correu 10km, e ao vê-lo receber a medalha, ele me disse:
“Por que você não corre comigo?”
Aquilo ficou na minha cabeça. Comecei a caminhar ao redor da lagoa enquanto esperava minha esposa sair da faculdade. Eu, de calça jeans e jaqueta, dava voltas de 700 a 800 metros. Andava cada vez mais, e para minha surpresa, as dores de cabeça diminuíram.
Arrisquei pequenos trotes. No início doía, mas aos poucos fui evoluindo. Duas semanas depois, consegui correr 1km sem parar. Chorei de felicidade. Na semana seguinte, já fazia isso todos os dias.
Logo vieram os 2km, 5km, e minha primeira corrida oficial de 7km. No dia seguinte, corri com Marcos Antônio em uma prova de 5km. Foi a confirmação: eu estava vivo de verdade.
Daqueles primeiros passos vieram conquistas que eu jamais imaginei:
Cada medalha representa muito mais que uma corrida: representa vida, fé, esperança.
Hoje não dependo de medicação, cuido da minha alimentação, pesquiso sobre saúde e sigo firme em busca de novos desafios.
Nenhuma conquista é feita sozinho. Cada passo, cada quilômetro, cada linha de chegada que cruzei até hoje só foi possível porque tive pessoas e empresas acreditando em mim, me apoiando e me dando força para seguir em frente.
Quero deixar aqui minha profunda gratidão às empresas que caminham e correm ao meu lado:
Cada uma dessas empresas representa mais do que um patrocínio. Elas representam confiança, incentivo e principalmente fé em uma história que poderia ter terminado antes mesmo de começar, mas que hoje é marcada por superação e vitória.
Quando visto o uniforme com esses nomes estampados, não carrego apenas logotipos. Carrego pessoas, sonhos e valores que se tornaram parte da minha história.
A cada prova que corro, a cada medalha conquistada, sei que não é apenas a minha vitória, mas também a vitória de todos que acreditaram em mim.
A vocês, meu muito obrigado. Obrigado por acreditarem em um corredor que nasceu no meio da dor, mas que aprendeu a transformar sofrimento em força e cada desafio em oportunidade de crescimento.
Que essa parceria siga crescendo e inspirando muitas outras pessoas a acreditarem que é possível superar limites — dentro e fora das pistas.
A corrida transformou minha vida. De uma sentença de limitações e dor, encontrei nas ruas, trilhas e maratonas o sentido de viver.
Sou grato a Deus, à minha tia Ana, ao meu amigo Marcão e a todos que cruzaram meu caminho.
Minha missão agora é mostrar que não existe obstáculo grande demais para quem decide acreditar em si mesmo. Se eu consegui, você também pode.